Os Heróis Negros da Matemática


Created on 05 Sep, 2018
Revision of 04 Jan, 2023
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“Como pessoas, tivemos mais do que nossa parcela de desafeição acadêmica hereditária que as pessoas parecem ter em relação à matemática… Hoje em dia, nossos jovens promissores são ainda mais ameaçados pela exposição a professores ... que estão convencidos de que os negros ... são abismalmente e irrevogavelmente sem esperança no que diz respeito à matemática.”

Sr. Wade Ellis: 1980 (1909–1989)
10º afro-americano a obter um doutorado em matemática

Francis Williams (1702–1770)

1° Negro Formado pela Universidade de Cambridge

Francis Williams era filho de negros livres na colônia da Jamaica. Essa condição incomum na região, povoada basicamente por colonizadores e escravos Africanos, lhe proporcionou condição financeira para arcar com sua escolarização.

Por volta de 1720, foi para a Europa e, em 1723, obteve cidadania Britânica, status indisponível para escravos. Aparentemente Francis Williams foi selecionado num experimento social que visava avaliar se negros, com a educação adequada, poderiam obter conquistas intelectuais semelhantes a dos brancos. Daí sendo enviado para Universidade de Cambridge, Inglaterra, onde se tornou o primeiro negro a se formar na instituição.

Apesar de seu status social e econômico, com regularidade era vítima de racismo extremo. Uma vez um rival sugeriu: "… ele ainda permanece, creio eu, um exemplo infeliz, para mostrar que toda cabeça africana não é adaptada por natureza a tais contemplações profundas".

Em seu tempo livre, Francis escreveu poesia em inglês e latim, tornando-se um dos primeiros e mais bem sucedidos poetas da Jamaica.


Retrato de corpo inteiro de Francis Williams por volta de 1745.

Após concluir a universidade, retornou à Jamaica, onde fundou uma escola gratuita para crianças negras. Lá, ensinou matemática, latim, leitura e escrita até sua morte em 1770. Tornando-se assim um pioneiro da educação negra.

Thomas Fuller (1710–1790)

Escravo Prodígio em Aritmética
Artigo Principal: Thomas Fuller

Thomas Fuller, também conhecido como "Calculadora de Virgínia", foi um escravo de excepcionais habilidades aritméticas. Seu caso foi usado por abolicionistas para argumentar que negros não eram mentalmente inferiores aos brancos.

Uma vez o perguntaram: “Quantos segundos um homem viveu com 70 anos, 17 dias e 12 horas de vida?”. Rapidamente veio a resposta: "2 210 500 800". No entanto, quando um dos examinadores informou que a resposta estava errada, Fuller logo retrucou: "Você esqueceu dos anos bissextos!". Após essa correção, o examinador concordou com a resposta.

Em seu epitáfio incluía, dentre outros, a seguinte elegia:

"Se suas oportunidades de desenvolvimento tivessem sido iguais às de milhares de seus colegas, nem a Royal Society de Londres, nem a Academia de Ciências de Paris, nem mesmo o próprio Newton, teriam tido vergonha de reconhecê-lo um Irmão na Ciência."

Obs: Note o caráter abolicionista da conclusão.

Benjamin Banneker (1731–1806)

Astrônomo e Defensor dos Direitos Civis: O céu não era seu limite
Mais conhecido por: Construir um relógio que tocava a cada hora
Artigo Principal: Benjamin Banneker

Embora mais conhecido como cientista afro-americano, Benjamin Banneker era uma pessoa de vários talentos que se auto-educou em astronomia e matemática.

Aos 22 anos, ele projetou e construiu um relógio funcional sem ter uma única lição ou livro sobre o assunto. Mais tarde, previu com precisão um eclipse solar em 14 de abril de 1789, contradizendo as previsões de proeminentes matemáticos e astrônomos da época. Divulgou que a estrela de Sirius na verdade são duas estrelas em vez de apenas uma. No entanto, sua hipótese só foi confirmada dois séculos mais tarde pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA.

Banneker também foi um defensor dos direitos civis e, inclusive, escreveu uma carta ao então secretário de Estado, Thomas Jefferson, discutindo seu ponto de vista:

"A cor da pele não tem nenhuma ligação com a força da mente ou a capacidade intelectual.", Benjamin Banneker


Selo Postal dos EUA em homenagem a Benjamin Banneker

Alfred Oscar Coffin (1861–1933)

1º Negro com PhD em Biologia
Artigo Principal: Alfred Oscar Coffin

Alfred Oscar Coffin foi professor de matemática e língua românica. Escreveu obras que são consideradas por estudiosos como culturalmente relevantes. No entanto, ficou mais conhecido por ter sido o primeiro negro a obter doutorado em biologia.

Apesar de Coffin ter rompido barreiras, a cultura racista da época limitou significativamente sua carreira acadêmica assim como a de outros intelectuais negros da época.

Elbert Cox (1895–1969)

1º Negro com PhD em Matemática: O Pioneiro

Depois de lutar por seu país na Primeira Guerra Mundial, Elbert Cox, candidatou-se a um programa de doutorado. Um dos avaliadores escreveu: “Ele tem certas dificuldades por ser da raça colorida.”

As universidades na Inglaterra e na Alemanha não reconheceram seu doutorado na época. No entanto, a Universidade Imperial de San do Japão Dei aceitou a dissertação.

Em 1929, tornou-se o primeiro matemático negro no mundo a obter um PhD em matemática. De 1929 a 1961, ensinou em Howard, um colégio e universidade historicamente negros. Dessa forma, inspirou diversas gerações de matemáticos negros à obter um doutorado.

Euphemia Lofton Haynes (1890–1980)

1ª Negra com PhD em Matemática: A Vencedora

Eufémia Lofton Haynes enfrentou três obstáculos para se tornar uma PhD em matemática: mulher, negra e já nos 50 anos.

Em 1940 o Cambridge Mathematician G.H. Hardy escreveu "Apologia de um Matemático", um dos livros mais lidos sobre a natureza e a prática da matemática. Ela declarou: "Nenhum matemático deve se permitir esquecer que a matemática, mais do que qualquer outra arte ou ciência, é um jogo de homens jovens."

Três anos após o livro de Hardy, Euphemia Lofton Haynes concluiu seu PhD em Matemática. Ela era a prova viva de que você nunca é velho demais e que a matemática não é apenas para poucos, mas sim pra todos.

Katherine Johnson (1918–2020)

A cientista espacial, física e matemática, Katherine Johnson, deixou um legado extremamente importante para mulheres na ciência, além de deixar um marco no avanço tecnológico.

Foi no contexto de opressão extrema, violência e segregação racial do início dos anos 1960 que Katherine Johnson, uma matemática negra com uma mente brilhante tornou-se uma figura essencial para o cumprimento da missão de lançar em órbita um foguete impulsionando os EUA na corrida espacial disputada com os soviéticos.

E esse é um dos pontos chaves do conceito de Hidden Figures (título em inglês, que significa “figuras escondidas) e que aqui no Brasil recebeu o nome de “Estrelas Além do Tempo”. O filme aborda a história de Johnson e suas colegas Mary Jackson e Dorothy Vaughn, três matemáticas negras que, em função da genialidade com os números, se tornaram imprescindíveis para a NASA, cujo propósito – lançar em órbita 3 astronautas – se tornou maior que o preconceito, pois a NASA precisava tanto da “garota esperta” (como era chamada pelos superiores) Johnson, que a cor de sua pele tornou-se uma questão secundária.

David Blackwell (1919–2010)

Foi professor emérito de estatística na Universidade da Califórnia em Berkeley, criou o teorema Rao–Blackwell e foi a primeira pessoa negra a entrar na Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Annie Easley (1933–2011)

Criada por sua mãe solteira, Easley foi uma matemática, programadora e engenheira espacial da Nasa. Na agência espacial, ela trabalhou na divisão de veículos de lançamento e presidiu o clube de esqui. Fez também importantes pesquisas na área de fontes alternativas de energia.


Leitura Adicional

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