Os Heróis Negros da Matemática


Created on 05 Sep, 2018
Revision of 16 May, 2022
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“Como pessoas, tivemos mais do que nossa parcela de desafeição acadêmica hereditária que as pessoas parecem ter em relação à matemática… Hoje em dia, nossos jovens promissores são ainda mais ameaçados pela exposição a professores ... que estão convencidos de que os negros ... são abismalmente e irrevogavelmente sem esperança no que diz respeito à matemática.”

Sr. Wade Ellis: 1980 (1909-1989)
10º afro-americano a obter um doutorado em matemática

Francis William: 1702 - 1770, Matemático Jamaicano

Licenciatura em Matemática - Cambridge University

Francis Williams foi selecionado para participar de um experimento social planejado pelo Duque de Montagu, que queria mostrar que indivíduos negros - com a educação correta - poderiam se igualar às conquistas intelectuais dos brancos.

Um rival uma vez sugeriu: "... Os problemas abstrusos da instituição matemática transformaram seu cérebro; e ele ainda permanece, creio eu, um exemplo infeliz, para mostrar que toda cabeça africana não é adaptada por natureza a tais contemplações profundas”.

Licenciado em Matemática, Latim e Literatura pela Universidade de Cambridge, retornou à Jamaica para montar uma escola, ensinando matemática, latim, leitura e escrita.

Thomas Fuller: 1710 - 1790, Escravo e Matemático

Excepcionais Habilidades Aritméticas
Artigo Principal: Thomas Fuller

Thomas Fuller, também conhecido como "Calculadora de Virgínia", foi um escravo de excepcionais habilidades aritméticas. Seu caso foi usado por abolicionistas para argumentar que negros não eram mentalmente inferiores aos brancos.

Uma vez o perguntaram: “Quantos segundos um homem viveu com 70 anos, 17 dias e 12 horas de vida?”. Rapidamente veio a resposta: "2 210 500 800". No entanto, quando um dos examinadores informou que a resposta estava errada, Fuller logo retrucou: "Você esqueceu dos anos bissextos!". Após essa correção, o examinador concordou com a resposta.

Em seu epitáfio incluía, dentre outros, a seguinte elegia:

"Se suas oportunidades de desenvolvimento tivessem sido iguais às de milhares de seus colegas, nem a Royal Society de Londres, nem a Academia de Ciências de Paris, nem mesmo o próprio Newton, teriam tido vergonha de reconhecê-lo um Irmão na Ciência."

Obs: Note o caráter abolicionista da conclusão.

Benjamin Banneker: 1731 - 1806, Astrônomo e Defensor dos Direitos Civis

O céu não era seu limite
Artigo Principal: Benjamin Banneker

Embora mais conhecido como cientista afro-americano, Benjamin Banneker era uma pessoa de vários talentos que se auto-educou em astronomia e matemática.

Aos 22 anos, ele projetou e construiu um relógio funcional sem ter uma única lição ou livro sobre o assunto. Mais tarde, previu com precisão um eclipse solar em 14 de abril de 1789, contradizendo as previsões de proeminentes matemáticos e astrônomos da época. Divulgou que a estrela de Sirius na verdade são duas estrelas em vez de apenas uma. No entanto, sua hipótese só foi confirmada dois séculos mais tarde pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA.

Banneker também foi um defensor dos direitos civis e, inclusive, escreveu uma carta ao então secretário de Estado, Thomas Jefferson, discutindo seu ponto de vista:

"A cor da pele não tem nenhuma ligação com a força da mente ou a capacidade intelectual.", Benjamin Banneker

Alfred Oscar Coffin (1861 - 1933)

Coffin foi professor de matemática e língua românica da Universidade Wiley, no estado norte-americano do Texas. Formou-se e concluiu o mestrado na Universidade Fisk, uma instituição de ensino historicamente negra do Tennessee, e, em 1889, tornou-se o primeiro afro-americano a obter um doutorado em biologia — pela Illinois Wesleyan University

Elbert Cox: 1895 - 1969, 1º Doutorado em Matemática Negra

O Pioneiro

Depois de lutar por seu país na Primeira Guerra Mundial, Elbert Cox, candidatou-se a um programa de doutorado. Um dos avaliadores escreveu: “Ele tem certas dificuldades por ser da raça colorida.”

As universidades na Inglaterra e na Alemanha não reconheceram seu doutorado na época. No entanto, a Universidade Imperial de San do Japão Dei aceitou a dissertação.

Em 1929, tornou-se o primeiro matemático negro no mundo a obter um PhD em matemática. De 1929 a 1961, ensinou em Howard, um colégio e universidade historicamente negros. Dessa forma, inspirou diversas gerações de matemáticos negros à obter um doutorado.

Euphemia Lofton Haynes: 1890 - 1980, 1ª Negra com PhD em Matemática

A Vencedora

Eufémia Lofton Haynes enfrentou três obstáculos para se tornar uma PhD em matemática: mulher, negra e já nos 50 anos.

Em 1940 o Cambridge Mathematician G.H. Hardy escreveu "Apologia de um Matemático", um dos livros mais lidos sobre a natureza e a prática da matemática. Ela declarou: "Nenhum matemático deve se permitir esquecer que a matemática, mais do que qualquer outra arte ou ciência, é um jogo de homens jovens."

Três anos após o livro de Hardy, Euphemia Lofton Haynes concluiu seu PhD em Matemática. Ela era a prova viva de que você nunca é velho demais e que a matemática não é apenas para poucos, mas sim pra todos.

Katherine Johnson (1918 – 2020)

A cientista espacial, física e matemática, Katherine Johnson, deixou um legado extremamente importante para mulheres na ciência, além de deixar um marco no avanço tecnológico.

Foi no contexto de opressão extrema, violência e segregação racial do início dos anos 1960 que Katherine Johnson, uma matemática negra com uma mente brilhante tornou-se uma figura essencial para o cumprimento da missão de lançar em órbita um foguete impulsionando os EUA na corrida espacial disputada com os soviéticos.

E esse é um dos pontos chaves do conceito de Hidden Figures (título em inglês, que significa “figuras escondidas) e que aqui no Brasil recebeu o nome de “Estrelas Além do Tempo”. O filme aborda a história de Johnson e suas colegas Mary Jackson e Dorothy Vaughn, três matemáticas negras que, em função da genialidade com os números, se tornaram imprescindíveis para a NASA, cujo propósito – lançar em órbita 3 astronautas – se tornou maior que o preconceito, pois a NASA precisava tanto da “garota esperta” (como era chamada pelos superiores) Johnson, que a cor de sua pele tornou-se uma questão secundária.

David Blackwell (1919 - 2010)

Foi professor emérito de estatística na Universidade da Califórnia em Berkeley, criou o teorema Rao–Blackwell e foi a primeira pessoa negra a entrar na Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Annie Easley (1933 - 2011)

Criada por sua mãe solteira, Easley foi uma matemática, programadora e engenheira espacial da Nasa. Na agência espacial, ela trabalhou na divisão de veículos de lançamento e presidiu o clube de esqui. Fez também importantes pesquisas na área de fontes alternativas de energia.


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