Embraer


Created on 02 Apr, 2024
Last Update on 02 Apr, 2024
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A Guerra Rússia x Ucrânia disparou uma corrida armamentista no mundo inteiro, que deve favorecer a Embraer. O seu avião cargueiro militar, o KC 390 está começando a ser vendido para diversos países.

O que deve salvar o projeto e gerar um bom lucro. Mas não salva a Embraer. O que mantém a Embraer de pé ainda são as vendas do 175 E1.

As vendas do 195 E2 ainda estão muito fracas. As vendas da família E2 estão na ordem de 300 aparelhos. O seu concorrente mais próximo é o A220, já vendeu por volta de 900 aparelhos. Provavelmente uns 600 aparelhos foram vendidos abaixo do custo de fabricação, com o objetivo de tirar a Embraer do mercado. Foi uma tentativa de dumping, que não deu certo.

Com a crise da epidemia, a Airbus não pode mais se dar ao luxo de perder tanto dinheiro em um só aparelho. Só que a imagem ficou. O A220 é um aparelho com vendas muito maiores do que a família E2 da Embraer.

Dois fatos podem ajudar muito a Embraer. O primeiro é o projeto da Porter. Uma empresa aérea canadense, que está montando uma rede na América do Norte, dando destaque ao transporte aéreo de qualidade.

Os jatos da Embraer série E têm a configuração de dois assentos de cada lado, 2x2. Não têm o assento do meio, como os aviões de corredor único da Boeing e Airbus, 3x3. Ou o A220, 2x3, com dois acentos de um lado e 3 do outro.

Além disso, a Porter tem uma configuração de 132 assentos. O máximo do Embraer 195 E2 é 148, resultando num bom espaço para os passageiros.

Para se diferenciar mais ainda, o serviço de bordo, na Porter, é muito bom. Com uma refeição, ou até duas, quentes conforme o trajeto.

Ou seja, a Porter está investindo em qualidade. E não em ultrabaixo preço. Aliás, a empresa de ultrabaixo preço, Lynx, que concorria com a Porter, saiu do mercado.

A Porter está sendo muito lucrativa e ganhando espaço no mercado super concorrido da América do Norte. Isso está chamando muita atenção. A Porter é a única empresa que está com esse modelo de negócio, explorando a característica 2x2 dos aviões da Embraer.

Com um avião menor é mais fácil conseguir encher um avião até o ponto de equilíbrio. O que facilita criar uma ponte aérea entre duas cidades. Com vários voos diários, a fidelidade dos passageiros é bem maior.

Esse é o momento atual da Porter, aumentar a frequência dos voos diários, em várias rotas. Esse modelo compete com o de grandes aviões e poucos voos diários entre dois pontos. A preferência dos passageiros vai mudar os padrões de voos.

É inevitável, outras empresas vão copiar o modelo de negócio da Porter. Principalmente, por causa da lucratividade. O que vai gerar uma maior demanda de aviões da Embraer.

O segundo fato é a alteração das cláusulas de escopo, aumentando o peso máximo do avião, para que o 175 E2 possa fazer os voos regionais nos Estados Unidos.

Hoje o 175 E1 domina a aviação regional dos Estados Unidos, são mais de mil aparelhos voando. Os 175 E2 são bem mais econômicos e silenciosos. O que traria grandes avanços para a aviação dos Estados Unidos. Mas as cláusulas de escopo impedem.

Mesmo que esses dois fatos ocorram, as vendas da Embraer vão crescer, mas não ao ponto da Embraer chegar ao tamanho da Boeing e da Airbus. A diferença deve diminuir, mas não tanto, para desencorajar novos ataques.

Hoje está na relação de 10 vezes maior. A Embraer fatura 5 bilhões de dólares por ano, a Boeing e a Airbus 50 bilhões. Essa diferença é uma ameaça à sobrevivência da Embraer.

Nos últimos 10 anos, a Embraer sobreviveu a dois ataques. Um da Boeing e outro da Airbus. Sobreviveu por pura sorte. Mas não dá para contar com a sorte para sempre.

A melhor defesa é o ataque. Na realidade é um equilíbrio entre defesa e ataque. Só ficando na defesa, um dia a Embraer vai ser derrotada. Para a sobrevivência da Embraer é preciso construir estratégias de ataque. Ou seja, construir aviões maiores, no nicho de 150 a 250 passageiros. O quanto antes entrar nesse nicho melhor.


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