Soja


Created on 02 Apr, 2024
Last Update on 02 Apr, 2024
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No momento atual, o preço da soja atingiu o pico de baixa dos últimos três anos. As operações de vendas no mercado financeiro estão derrubando os preços, que estão muito próximos dos 11 dólares o bushel.

Para os agricultores brasileiros esse é um momento desesperador. Mas não deveria ser. Os especuladores, muito provavelmente liderados pela China, estão forçando uma queda artificial dos preços.

O resultado é que logo os preços reajam de uma forma bem rápida e os limites de alta sejam ultrapassados. O mercado financeiro está acreditando nos números de expectativa de safra oficiais. Simplesmente porque esses números são convenientes.

Os números da quebra da safra sul-americana estão sendo subestimados. Agora, no começo de março, mais da metade da safra brasileira já foi colhida. Ninguém está querendo se antecipar e mostrar quebras maiores. O medo de arriscar a credibilidade é muito grande.

Ninguém está acreditando que as quebras continuarão muito grandes. No início as quebras foram muito grandes. Agora as colheitas mostram uma realidade muito favorável. Só que essa realidade é pontual. Logo os índices de produtividade voltarão a cair.

Pois a soja a ser colhida foi plantada atrasada. Por esse simples motivo a produtividade vai cair. Se além disso o clima for desfavorável, a produtividade deve cair mais ainda.

Daqui a mais dois meses, no começo de maio, já saberemos o tamanho da safra de soja brasileira 2023-2024, com uma boa precisão.

Quase ninguém, neste momento, está apostando numa grande quebra na safra de soja. Apesar dos indicadores técnicos mostrarem uma realidade nesse sentido.

Os especuladores exageram os movimentos. Hoje eles estão forçando uma baixa excessiva. Logo passarão para o outro extremo. Vão forçar uma subida muito rápida dos preços.

Essa onda de choque vai provocar uma grande instabilidade na economia mundial. Com os preços altos dos grãos (soja, milho e trigo) a inflação vai voltar com muita força nos países mais desenvolvidos, Estados Unidos e Europa, e também na China.

O mundo inteiro vai descobrir que os estoques mundiais de grãos estarão muito baixos. E a recuperação dos estoques vai demorar de dois a três anos.

O que a China fez foi provocar artificialmente uma onda de grande instabilidade nos mercados financeiros de commodities agrícolas. Ela será a maior prejudicada. Os preços dos alimentos na China vão sofrer uma grande alta. Foi um tiro no pé. Uma lição a ser aprendida.

O preço de especular no mercado financeiro de commodities agrícolas é muito grande para a estabilidade dos preços de comida.

No segundo semestre de 2024 teremos um ambiente de grande instabilidade: a derrota da Rússia na guerra com a Ucrânia e uma forte inflação nos países desenvolvidos e na China.

Na realidade, esses dois fatores estão profundamente interligados. A guerra reduziu a produção de grãos na Ucrânia e na Rússia. 2023-2024 foi um período de el niño extremamente forte, que reduziu a produção de grãos no Brasil.

Para piorar as coisas, a China fez fortes especulações nos preços agrícolas, o que provocará uma onda de inflação no mundo inteiro.

Para o Brasil, essa instabilidade será benéfica. Com preços muito altos, o Brasil terá um grande superávit na Balança Comercial, que deve passar dos 150 bilhões de dólares já em 2024.

Outra consequência será uma grande onda de investimentos para aumentar a safra 2024-2025, que só começará a ser plantada em setembro.

Entre agora e o início de abril deve ocorrer uma forte mudança dos preços das commodities agrícolas. Qualquer pequeno detalhe será suficiente. Todas as condições para a rápida mudança já estão preparadas. Basta uma pequena centelha.


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