Quebra de Safra na Argentina


Created on 02 Apr, 2024
Last Update on 02 Apr, 2024
Maintainer
pior_naum_fica

A safra 2023-2024 encerra, com grandes quebras na Argentina. Uma grande inundação atinge os campos argentinos. Cedo ou tarde o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, USDA, vai ter que reconhecer que as quebras na América do Sul foram muito grandes. Vai faltar soja no mundo. As exportações serão bem menores.

Todo o mundo está desconfiado que as previsões do USDA estão bem desatualizadas. O que vai provocar uma grande desconfiança no mercado internacional de commodities agrícolas. Insegurança com comida leva ao pânico.

A estratégia do USDA foi imprudente. Deixou o mercado internacional às cegas. Agora a insegurança corre solta. As exportações brasileiras estão indo muito bem. Mas as novas vendas estão paradas. O Brasil está embarcando as vendas feitas há bastante tempo. Logo o estoque de vendas anteriores vai acabar e a China vai voltar a fazer novas compras.

Vai ser a corrida dos desesperados: dos desesperados para vender, com os desesperados para comprar. Está muito difícil adivinhar o resultado. Um palpite, só um palpite é que os agricultores brasileiros estão mais dispostos a blefar. Os maiores produtores estão ligados a cooperativas, que têm muita capacidade de acesso ao capital. As quebras foram grandes, os armazéns são suficientes para a safra que está chegando aos armazéns. O que não couber nos silos tradicionais vai para os silos bolsa.

Quem está sozinho e não tem muito capital, vai vender a soja na baixa e sair do mercado. Os argentinos vão vender tudo que puderem logo no início da colheita. Eles estão precisando desesperadamente de dólares. A Argentina inteira está precisando de recursos financeiros. Os dólares que estão entrando lá são os especuladores brasileiros, que querem aproveitar as taxas de juros do Banco Central Argentino.

A mensagem é clara. Os argentinos não estarão dispostos a guardar os estoques de soja muito tempo. É muito mais rentável exportar os grãos, converter os dólares em pesos e aplicar em títulos do governo. A estratégia está clara. Aplicar no mercado financeiro interno está muito atraente.

Os agricultores brasileiros não são tão ousados, como os especuladores brasileiros, que estão indo à Argentina atrás das taxas do Banco Central Argentino. Os agricultores brasileiros vão esperar passar a onda de venda dos agricultores argentinos, que sabem que não vai durar muito, pois a safra argentina não é muito grande. E aguardar a subida de preço da soja no mercado internacional.

A soja que os chineses já compraram é muito pouca. Não dá para encher os seus armazéns. Os agricultores brasileiros sabem disso. Os norte-americanos não têm quase nenhum estoque.

Os chineses apostaram numa grande safra na América Latina e perderam. Apostar novamente numa boa safra norte-americana de soja pode ser muito arriscado. Os chineses vão tremer. E comprar caro a soja brasileira. É o mais provável.

Se acontecer uma quebra na safra norte-americana 2024, por causa da la niña, o mercado da soja enlouquece. Os chineses não vão pagar para ver. O risco é muito grande.

A próxima safra brasileira de soja, a 2024-2025, só começa a ser colhida em dezembro. Isso na melhor das hipóteses. O cenário é muito favorável para os agricultores brasileiros, que estão bem capitalizados. Agora é hora de deixar a China suar. O Brasil se tornou um player internacional.


Replies

Comments