China Sem Comida


Created on 02 Apr, 2024
Last Update on 02 Apr, 2024
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A China fez uma grande aposta e perdeu. Acreditava que poderia controlar os preços da comida, que ela importa, para a sua segurança alimentar, através de especulações no mercado financeiro das commodities agrícolas.

Logo veremos os impactos do seu erro. O preço das commodities agrícolas vão disparar.

Para corrigir, iniciou um projeto de longo prazo de aumentar os estoques de alimentos, para amortecer as variações de preço. Só que essa estratégia vai levar tempo, pelo menos 5 anos, talvez 10. O que demonstra, hoje, que os seus estoques estão baixos.

Nos próximos anos, os preços das commodities agrícolas vão se manter muito altos. O que vai ser muito ruim para os países mais pobres, que dependem da importação de alimentos, para a sua segurança alimentar.

Para o Brasil, vai ser uma década de prosperidade. O Brasil vai aumentar muito as suas exportações de alimentos, principalmente a soja. O Brasil é o principal exportador de soja. Hoje, 40% da produção mundial é produzida no Brasil. E vai aumentar a sua participação na produção mundial.

Pois, os dois outros grandes produtores mundiais, Estados Unidos e Argentina terão muita dificuldade em fazê-lo. Os Estados Unidos têm poucas áreas disponíveis para ampliar a sua produção de soja. E a Argentina, por estar saindo de uma grande crise econômica, não tem recursos para fazer grandes investimentos.

As estimativas iniciais, no Brasil, da safra 2023-2024 eram de uma produção de 165 milhões de toneladas de soja. Algumas chegavam a 170. O que daria uma boa sobra. Os estoques de passagem passariam de 40 milhões de toneladas só no Brasil.

Considerando essas previsões, a China montou uma estratégia de derrubar os preços no mercado internacional, fazendo especulações financeiras nas commodities agrícolas.

Só que a China não contava com grandes quebras na safra brasileira. O fenômeno el niño foi muito intenso, o que provocou grandes quebras no Brasil inteiro. O mais comum é ocorrer quebras em um dos extremos do Brasil a cada ano.

Quando ocorrem quebras no Sul, a produção do Norte-Nordeste é muito boa. Quando ocorrem quebras no Norte-Nordeste, a do Sul é muito boa. O que reduz muito o desvio padrão. As safras brasileiras são bem previsíveis.

A safra 2023-2024 está sendo totalmente atípica. Grandes quebras estão ocorrendo em todo o país. Algo muito raro, que não ocorreu nas últimas duas décadas. Além da forte quebra na primeira safra de verão, muito provavelmente, vai ocorrer uma forte quebra na segunda safra de verão, a safrinha.

O ciclo do el niño vai mudar rapidamente para la niña e geadas precoces devem ocorrer, provavelmente atingindo o milho safrinha no final do ciclo.

As perdas na safra 2023-2024 serão muito grandes, maiores que 50 milhões de toneladas só de soja. O que deve provocar uma grande subida dos preços internacionais da soja. A soja vai ultrapassar os 20 dólares o bushel, talvez passe dos 25 dólares.

Só que a China está tentando manobrar a imprensa internacional para tentar minimizar as suas perdas, escondendo o que consegue as perdas da safra brasileira. Só está atrasando um pouco a subida dos preços das commodities agrícolas. Quando os preços começarem a subir, eles vão para o espaço, pegando todo o mundo desprevenido. Isso vai ocorrer logo.

Os chineses estão com os seus estoques de alimentos muito baixos. Fato, que a China está tentando esconder. Pois para tentar derrubar os preços, atrasou as suas compras de alimentos em 2024.

Quebra forte no Brasil da safra de soja e estoques internos baixos vai obrigar a China a fazer grandes compras de soja em 2024, com os preços muito altos, para não faltar matéria prima para fazer ração. Isso vai dar um grande impulso na economia brasileira. O superávit da Balança Comercial deve passar dos 150 bilhões de dólares.


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